Teoria Efervescente

E eu que duvidei da existência de uma sétima efervescencia intergalática.

Arquivo para julho, 2010

Brilhantina

Eu penso no que fazer agora. Não vejo caminho pela frente, só consigo ficar parada. Não faz sentido voltar. Não adianta com quantas cores eu pinte o cabelo ou quantos cortes eu faça, sei que não vou me sentir melhor e isso me dá medo. Eu já não lembro como sorrir, não lembro o que me faz feliz. Perco-me facilmente nas inexatidões da minha mente, esperando parada. Eu vejo bem claramente o quanto fui idiota e ainda sou, por tanto sofrer. Cada dia que passa parece que dói mais. Eu sei que eu estava cega, estou ainda, mais era uma cegueira tão confortável, era tão gostoso. Eu o tinha, podia me esconder em seus braços quando sentia medo ou me queixar em seu colo quando sentia dor. Era um consolo pra minha carência. Valeu tanto a pena. Eu posso sofrer hoje e amanhã e ter sofrido um bocado durante, mais Deus sabe como valeu a pena. Eu faria denovo, farei se possivel, porque o que há dentro de mim ainda é só dele.

Se eu pudesse mudaria isso, me mudara dele e mudaria ele de mim, mais não posso e de uma maneira estranha e contraditória eu não quero.

…nem eu entendo bem.

And if you stop for a minute…

São partes de você isso que resta em mim e quando eu me olho é você que eu vejo. De algum modo você se fixou nas minhas entranhas e eu não consigo mais tirar. O seu cheiro, seu gosto está em mim, já não sei o que sou eu sem você e o que é você (s)em mim. Somos nós agora, em mim e sem o nós, só comigo. É quase uma autosuficiência. Seria bom se fosse, mais é quase, só quase. Me sobram lembranças e memórias, planos e sonhos mas me falta você.

São partes de você isso que resta em mim e aparentemente é só o que resta de mim. Me apaguei do que sobrava e deixei você iluminar o vazio que ficou lá. Faltou-lhe energia para trazer luz aos meus detalhes. Faltou tempo. Mais o que ficou de nós, o que foi iluminado, ainda permanece intacto. Vivo, ainda, na verdade. Temos vivido o que já passou nesse tempo que não passa.

São partes de você isso que resta em mim e são partes de mim isso que resta em você. Trocamos de corpo, trocamos tudo. Nos perdemos pelo caminho, pelo jeito, um do outro e de nós mesmo. Já não vejo graça nas ruas da cidade e nas coisas simples que me faziam sorrir. A luz se foi e tudo em mim é vazio e escuro…e você.

Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca.

É aquela vontade louca de continuar esperando pelo que você sabe que não vai chegar, é continuando aguardando o imprevisível. É esperar pelo que você faria e fazer algo em troca antes.

Ficar sentada a ouvir a mesma música, com a mesma roupa sempre, esperando pelo mesmo bonde, pelo que nunca chega.

O não saber nunca e a possibilidade de esperar para sempre ou somente mais cinco minutos é tão agradável quanto dolorosa e ao mesmo tempo que faz o coração bater, faz ele despedaçar e doer incessantemente.

É ao ouvir qualquer barulho nos trilhos que você sente o sangue correr pelas veias de novo, o cérebro voltar a maquinar e notar que o barulho é qualquer outra coisa menos o bonde que você aguarda.

É no fundo você saber a verdade, ter medo dela, fugir para o outro lado e continuar esperando. É chegar ao extremo de querer deitar nos trilhos e esperar de verdade que ele chegue e não pare, só leve o que sobrou de você com ele e deixar o tempo fazer o que deve ter feito. É não querer pensar mais, não querer respirar, não ver motivo pra isso.

É não ver o bonde de desejo chegando pela manhã, enfiando-lhe peito a dentro uma injeção de adrenalina, fazendo viver em você o que a um tempo parecia morto.

É amor e é tudo o que você tem. É dor e ansiosa espera. É você, é ele, são os trilhos e o banco frio na estação. Só…

lixo

Não gosto das coisas seguras, dos caminhos mais certos e das escolhas perfeitas. Não me agradam as verdades ditas claramente, não me agradam segredos importantes da vida nem me interessa saber de tudo. Não quero andar por todos os lugares, conhecer grandes pessoas nem adquirir os grandes conhecimentos.  Não me importo em não ser notada, não ligo de não ser mais do que quem está do meu lado nem de ser menos de quem estar no outro. Não me importo tanto com o que as pessoas pensam, deixo que pensem, que sintam e que expressem como quizer. Não me importo em não ser grande coisa, em realizar uma grande façanha ou descobrir alguma cura. Não sigo meus sonhos, não faço grandes planos nem espero que uma vida perfeita caia do céu pra mim. Não tenho grandes interesses, nem sou muito culta nem tão inteligente quanto deveria, mais de fato, isso me encomoda. Me irrita pessoas que sabem muito, acham que saber é isso e se limitam ao seu enorme ego de conhecimento-ignorante. Não gosto de pessoas que dizem ultrapassar as barreiras, que quebram recordes ou passam dos seus próprios limites. Não gosto de conversar sobre política, religião nem sobre o que penso sobre a vida. Não sei se creio em Deus, não sei se ele crê em mim, não sei aonde estou em relação a vida, a que ponto do caminho estou, se estou parada ou caminhando ou se estou tentando correr e caindo. Não sei, não sinto. Não me interesso por  grandes filosofias, nem teorias mirabolantes nem por grandes idéias.  Ter minhas idéias sobre idéias que não são minhas as vezes me parece insuficiente, mais eu, as vezes, não pareço suficiente para ter minhas próprias grandes idéias. Nem mesmo pareço suficiente para ter idéias. Não gosto de pessoas por detalhes, faço pouco caso as vezes e de verdade, não ligo pra isso.Não gosto de pessoas muito sorridentes, gosto de toda essa imperfeição e desgosto e todo o conjunto de linhas tortas e escritas mal-feitas, que não enganam. As pessoas podem ou não aceitar o que eu sou do mesmo jeito que eu posso ou não aceitar o que elas são. Ainda não sei se me aceito ou se me aceitei e convivi com isso, mais ao que parece, é sempre assim. Ainda tem toda aquela história da grama do vizinho e das sabedorias e etc. Passo por isso. Eu sofro, choro, sinto dores inimaginaveis para mim. Pra mim. Não importa se as dores dos outros doem mais neles, o que me importa é o que há em mim, o que dói em mim. É por isso que eu sofro. E as dores do mundo, o mundo que sinta, e das minhas dores que ele seja poupado. Que ninguém sofra mais do que pode, nem sofra por outros sem escolher isso.