Teoria Efervescente

E eu que duvidei da existência de uma sétima efervescencia intergalática.

break your heart, shake your blood.

Eu quiz isso certo? Eu procurei isso. Até precisei, na verdade. Isso me deixou sã. Eu deveria estar sã então…

Fico me privando de escrever as verdades porque acho que quando as outras pessoas souberem isso vai se tornar uma verdade incontestável, daí eu não poderei fugir mais disso. Então minto, como todos fizeram pra mim, minto pra tentar tornar tudo menos verdadeiro, menos real.

Não sei bem se tá dando certo. Não sei bem de nada, nem como estou nem como ficarei. Na verdade, não sei bem do que eu to falando…

Fico imaginando como será o dia, aquela dia que eu espero sempre. Aquela sensação, aquela certeza. Ahn, isso, a certeza, é só isso que eu procuro, é só isso que me faz melhor. Certezas.

Já tive várias e estava ridiculamente enganada. Tive a certeza de que me amaram tanto quanto eu amei, de que amei tanto quanto me amaram, certeza de que o erro foi meu, certeza dos começos, dos futuros, mais agora só tenho certeza dos finais, das verdades cruéis que vieram com eles, das mágoas.

Me sinto mal porque sempre venho aqui falar de mágoas e lembranças e esse bla-bla-bla de dor de cotovelo, mais é porque acho que quanto mais eu falo disso mais isso saí de mim, mais fica preso no blog ou no papel e não em mim.

Gosto de escrever em estrofes. Quando fiz o primeiro rascunho do livro que eu queria escrever, devia ter uns 12 anos, minha mãe leu e me devolveu dizendo que era chato. A escrita não tinha pausas e nenhum leitor gostar de ler ininterruptamente. Acho que isso me traumatizou…Tem pausas até demais agora.

Enfim, fico na minha cabeça, pensando nos fatos e sofrendo com eles. Eu não entendo porque, já passou, já acabou, não importa quanto eu sofra, aquele fato não vai deixar de estar ali pra sempre, assombrando minhas lembranças de perfeição.

Quero esquecer. Ou superar e viver com isso. O que vier primeiro…Quero deitar de noite e pensar nos meus problemas, no meu não-emprego, nas contas, no que eu vou fazer sobre a vida, mais eu não consigo. Eu to focada nisso, parece que eu preciso mudar tudo pra provar alguma coisa e eu não posso desistir porque não sei o que quero provar. Estou cada vez mais tornando isso uma coisa real para todos e vai acontecer, só não sei se é porque eu quero ou porque eu preciso.

Gosto de misturar todos os assuntos num post só. Gosto de divagar sobre tudo. Gosto de usar as mesmas palavras no meu texto e de manter a mesma linha caótica de pensamento neles também. Acho que posts no blog são a única coisa na qual eu faço questão de não manter foco nenhum. Posso zigue-zaguear por todos os meus caminhos e voltar e pular para onde quizer.

Tenho lembranças da casa da Vila. Das baianas, da menina que mordia, da moça da frente com o Marcos e dos vizinhos com cachumba. Lembro do portão de ferro e do pequeno túnel escuro que agente tinha que cruzar para entrar e sair. Lembro da moto escondida, dos abraços de saudade, dos adesivos. Lembro da mangueira encostada no muro, eu já comi manga lá, sentada. Lembro do morcego que entrou pela janela. Lembro da escolinha do outro lado, da pirraça, lembro que só eu não podia brincar na piscina. Lembro do uniforme e dos caderninhos. Das mordidas na perna da vizinha maluca.
Lembro da mãe dela a cara da Cláudia Raia.

Lembro do sítio, do anel-relogio que aquele menino que eu gostava me deu quando eu era bem pequena, que eu coloquei na coleira do roi-roi e ele perdeu ou comeu, nunca soube ao certo. Lembro da casa mal-assombrada, dos meus cachorros. Help, nunca vou esquecer, acho que é o maior mistério na minha vida.

Lembro do meu primeiro computador, que eu usar o Kazar para baixar Vampiro Doidão. Lembro do Marcos. Do ICQ, dos acampamentos. Meu Deus, como isso ainda me assombra. Disso só me lembro que doia. Não lembro o quanto, nem por quanto tempo.

Lembro de duas coisas que aprendi com dois homens que eu detesto. Um: As pessoas julgam as outras por si mesmas e Dois: As pessoas não mudam. Nesse momento da minha vida todas as duas fazem sentido. Já tive a certeza de que mudei, que seu eu mudei todos poderiam mudar. Mais cada vez mais vejo que eu não mudei e que talvez, nunca vá mudar. Talvez ninguém mude.

Tento me manter sã. Assumo que estou lidando com isso melhor do que eu esperava…”Deus não dá peso que seus ombros não possam carregar”, então eu posso carregar. Estou bem, está tudo bem. Tudo vai ficar bem é só eu fechar os olhos…

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