Teoria Efervescente

E eu que duvidei da existência de uma sétima efervescencia intergalática.

Arquivo de Burn After Reading

Infinitos são os males que me assombram.

Já tava claro quando eu finalmente fechei meus olhos inchados de tanto chorar. Não era nada demais, era só choro, como daqueles de quando dói dentro da alma, de soluços incontroláveis e vontade de voltar ao ventre e não sair. Me desfaço diariamente e refaço, tudo isso antes da primeira respiração do dia. Acordo querendo fumar o cigarro de cada dia e rezando pra ser o dia em que o sol vai brilhar denovo.

a outra

paz, eu quero paz. já me cansei de ser a última a saber de ti. se todo mundo sabe quem te faz chegar mais tarde eu já cansei de imaginar você com ela, diz pra mim, se vale a pena amor, agente ria tanto desses nossos desencontros mais você passou do ponto e agora eu já não sei mais. eu quero paz, quero dançar com outro par pra variar amor. não dá mais fingir que ainda não vi as cicatrizes que ela fes, se dessa vez ela é senhora desse amor, pois vá embora por favor que não demora pra essa dor sangrar.

lixo

Não gosto das coisas seguras, dos caminhos mais certos e das escolhas perfeitas. Não me agradam as verdades ditas claramente, não me agradam segredos importantes da vida nem me interessa saber de tudo. Não quero andar por todos os lugares, conhecer grandes pessoas nem adquirir os grandes conhecimentos.  Não me importo em não ser notada, não ligo de não ser mais do que quem está do meu lado nem de ser menos de quem estar no outro. Não me importo tanto com o que as pessoas pensam, deixo que pensem, que sintam e que expressem como quizer. Não me importo em não ser grande coisa, em realizar uma grande façanha ou descobrir alguma cura. Não sigo meus sonhos, não faço grandes planos nem espero que uma vida perfeita caia do céu pra mim. Não tenho grandes interesses, nem sou muito culta nem tão inteligente quanto deveria, mais de fato, isso me encomoda. Me irrita pessoas que sabem muito, acham que saber é isso e se limitam ao seu enorme ego de conhecimento-ignorante. Não gosto de pessoas que dizem ultrapassar as barreiras, que quebram recordes ou passam dos seus próprios limites. Não gosto de conversar sobre política, religião nem sobre o que penso sobre a vida. Não sei se creio em Deus, não sei se ele crê em mim, não sei aonde estou em relação a vida, a que ponto do caminho estou, se estou parada ou caminhando ou se estou tentando correr e caindo. Não sei, não sinto. Não me interesso por  grandes filosofias, nem teorias mirabolantes nem por grandes idéias.  Ter minhas idéias sobre idéias que não são minhas as vezes me parece insuficiente, mais eu, as vezes, não pareço suficiente para ter minhas próprias grandes idéias. Nem mesmo pareço suficiente para ter idéias. Não gosto de pessoas por detalhes, faço pouco caso as vezes e de verdade, não ligo pra isso.Não gosto de pessoas muito sorridentes, gosto de toda essa imperfeição e desgosto e todo o conjunto de linhas tortas e escritas mal-feitas, que não enganam. As pessoas podem ou não aceitar o que eu sou do mesmo jeito que eu posso ou não aceitar o que elas são. Ainda não sei se me aceito ou se me aceitei e convivi com isso, mais ao que parece, é sempre assim. Ainda tem toda aquela história da grama do vizinho e das sabedorias e etc. Passo por isso. Eu sofro, choro, sinto dores inimaginaveis para mim. Pra mim. Não importa se as dores dos outros doem mais neles, o que me importa é o que há em mim, o que dói em mim. É por isso que eu sofro. E as dores do mundo, o mundo que sinta, e das minhas dores que ele seja poupado. Que ninguém sofra mais do que pode, nem sofra por outros sem escolher isso.