Teoria Efervescente

E eu que duvidei da existência de uma sétima efervescencia intergalática.

Arquivo para Something Old, Something New, Something Borrowed, Something Blue.

Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca.

É aquela vontade louca de continuar esperando pelo que você sabe que não vai chegar, é continuando aguardando o imprevisível. É esperar pelo que você faria e fazer algo em troca antes.

Ficar sentada a ouvir a mesma música, com a mesma roupa sempre, esperando pelo mesmo bonde, pelo que nunca chega.

O não saber nunca e a possibilidade de esperar para sempre ou somente mais cinco minutos é tão agradável quanto dolorosa e ao mesmo tempo que faz o coração bater, faz ele despedaçar e doer incessantemente.

É ao ouvir qualquer barulho nos trilhos que você sente o sangue correr pelas veias de novo, o cérebro voltar a maquinar e notar que o barulho é qualquer outra coisa menos o bonde que você aguarda.

É no fundo você saber a verdade, ter medo dela, fugir para o outro lado e continuar esperando. É chegar ao extremo de querer deitar nos trilhos e esperar de verdade que ele chegue e não pare, só leve o que sobrou de você com ele e deixar o tempo fazer o que deve ter feito. É não querer pensar mais, não querer respirar, não ver motivo pra isso.

É não ver o bonde de desejo chegando pela manhã, enfiando-lhe peito a dentro uma injeção de adrenalina, fazendo viver em você o que a um tempo parecia morto.

É amor e é tudo o que você tem. É dor e ansiosa espera. É você, é ele, são os trilhos e o banco frio na estação. Só…

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